A eficiência energética ganha cada vez mais espaço na pauta do setor elétrico. Dez anos depois do racionamento, quando a população se viu obrigada a controlar o consumo de energia, não por consciência ambiental ou para evitar o desperdício, mas sim porque a oferta não era capaz de atender a demanda, o governo está prestes a lançar o Programa Nacional de Eficiência Energética. O PNEf tem como meta uma redução de 10% do consumo de energia até 2030.
Para Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, o PNEf tem um papel importante porque viabiliza o Plano Decenal de Energia 2019 (PDE 2019), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo ele, o PDE considera que a eficiência energética total vai permitir uma redução de 13,3 milhões de toneladas equivalentes de petróleo no horizonte do plano. "Acho que o PNEf vem para explicitar como serão feitas as ações de eficiência energética", avalia o professor. Confira abaixo a entrevista que Luiz Pinguelli Rosa concedeu ao Procel Info.
Procel Info - Com o PNEf, como a eficiência energética vai ser vista daqui para frente?
Luiz Pinguelli Rosa - Acho que viabiliza o Plano Decenal da EPE, que tem papel importante para a eficiência energética. Eles consideram que a eficiência energética total vai permitir uma redução de 13,3 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), que é uma unidade de energia. Principalmente para o setor da indústria, que tem algumas áreas mais ligadas à energia elétrica, como os metais não ferrosos, alumínio e outros. É claro que eles tratam da parte de combustíveis em geral, inclui transporte, mas no caso da eletricidade é muito importante. Eu acho que esse Plano Nacional de Eficiência Energética vai contribuir para as metas do Plano Decenal, no caso de as medidas de eficiência energética serem viáveis.
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| Luiz Pinguelli Rosa |
Procel Info - Qual a importância de se colocar metas de eficiência energética no planejamento?
Luiz Pinguelli Rosa - Anteriormente, a eficiência energética era contemplada de uma maneira não explícita. De certo modo, nas projeções, havia as considerações que já contavam com a eficiência energética. Mas eu acho bom como está agora, explicitar a contribuição. Por exemplo, agora, já temos um número: esses 13 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, reduzidas devido à eficiência energética em 2019. Eu acho isso importante.
Procel Info - A eficiência energética pode impactar na economia do país?
Luiz Pinguelli Rosa - Impacta porque a eficiência energética evita o desperdício de energia. Obtém-se o mesmo resultado com menos energia e também há a atividade econômica em torno disso - investimento, tecnologia, engenharia, que vão trabalhar para a eficiência energética. Então, impacta a economia.
Procel Info - O Brasil tem se destacado nas conferências sobre clima. Como a eficiência energética pode contribuir no combate às mudanças climáticas?
Luiz Pinguelli Rosa - É a melhor maneira de se evitar a emissão de dióxido de carbono, porque quando se economiza energia, gasta-se menos combustível. Mesmo na geração elétrica, que no Brasil, é predominantemente hidrelétrica, já há um crescente uso de combustíveis na complementação termelétrica. Então, a eficiência energética permite gerar menos energia para a mesma finalidade. Não é que o consumo energético vai deixar de crescer, pois o país vai precisar ainda de mais energia. Há uma distribuição de renda que está sendo feita, vai haver maior compra de equipamentos elétricos domiciliares, principalmente, mas a energia consumida é menor, o que é vantajoso. Diminui a emissão de gases do efeito estufa, reduzindo o consumo do combustível.
Procel Info - Esse tema da eficiência energética tem sido discutido nas conferências sobre clima? Outros países apresentam projetos relacionados à conservação de energia?
Luiz Pinguelli Rosa - Esse é um item importante. O famoso relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas dava destaque à eficiência energética como um meio de evitar emissões de gases do efeito estufa e esses assuntos foram discutidos nas Conferências de Copenhague, na Dinamarca, em 2009, e de Cancún, no México, em 2010. É um ponto internacionalmente muito valorizado.
Procel Info - Que esforços o Brasil ainda poderia fazer nesse campo da eficiência energética?
Luiz Pinguelli Rosa - Ele precisa implementar as medidas, que, por enquanto, ainda estão no papel. Tem que sair do papel e ir para o real. O Brasil é muito bom de papel, mas às vezes as coisas não vão para o real, é preciso fazer acontecer. O setor elétrico tem uma boa tradição passada, que é o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica). Eu estou dizendo que temos um bom plano, mas é preciso que o plano saia do papel e vá para o mundo real. Esse é o esforço que o Brasil precisa fazer.
Fonte: Procel Info (26/01/2011)

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